Mainar Longhi não fez escola
Quem estudou jornalismo na PUC de Porto Alegre entre os anos 60 e começo dos 90 teve o privilégio de aprender Língua Portuguesa com o professor Mainar Longhi, que foi dessa para outra na última década do século passado. Irmão Marista, fundador e coordenador do curso de Letras daquela Universidade, seria injusto afirmar que era quem mais conhecia o idioma falado e escrito por aqui. Mas certamente era o que mais sabia ensinar. Comparecia em suas aulas para os estudantes de jornalismo depois de ler periódicos em inglês, francês e alemão.
Trazia embaixo do braço disciplinadamente o JB, o Estadão e a Folha de S. Paulo. Líamos os editoriais e artigos e depois deveríamos discutir conteúdo, estilística e um ou outro erro que pudesse aparecer. Nos obrigava a redações longas com correções comentadas. Explicava com paciência nossas fraquezas diante do português. Afirmam alguns fofoqueiros que imitava Carlos Lacerda como ninguém, sob efeito do vinho tinto que sorvia entre amigos mais chegados como Sérgio Caparelli.
De maneira que fazemos parte de umas duas ou três gerações de repórteres privilegiados que se espalharam pelo Brasil ou que ficaram por aqui. Falo isso porque há outra geração de gente formada em escolas de jornalismo que não teve o privilégio de aprender com o Mainar. É o caso de uma repórter-produtora de uma das emissoras de maior audiência do rádio gaúcho. No ar, a moça ao anunciar um sorteio promovido pelo departamento de esportes, soltou no ar, sem qualquer pudor, algo como “tu acertou” e “tu ficou”.
Atropelou a conjugação tragicamente, agrediu nossos ouvidos e de certa forma deu a entender que Mainar não deixou herdeiros à sua altura para eliminar a ignorância daqueles que saem do ensino médio e ingressam nos cursos de jornalismo, nem mesmo numa corriqueira conjugação de verbos.
Trazia embaixo do braço disciplinadamente o JB, o Estadão e a Folha de S. Paulo. Líamos os editoriais e artigos e depois deveríamos discutir conteúdo, estilística e um ou outro erro que pudesse aparecer. Nos obrigava a redações longas com correções comentadas. Explicava com paciência nossas fraquezas diante do português. Afirmam alguns fofoqueiros que imitava Carlos Lacerda como ninguém, sob efeito do vinho tinto que sorvia entre amigos mais chegados como Sérgio Caparelli.
De maneira que fazemos parte de umas duas ou três gerações de repórteres privilegiados que se espalharam pelo Brasil ou que ficaram por aqui. Falo isso porque há outra geração de gente formada em escolas de jornalismo que não teve o privilégio de aprender com o Mainar. É o caso de uma repórter-produtora de uma das emissoras de maior audiência do rádio gaúcho. No ar, a moça ao anunciar um sorteio promovido pelo departamento de esportes, soltou no ar, sem qualquer pudor, algo como “tu acertou” e “tu ficou”.
Atropelou a conjugação tragicamente, agrediu nossos ouvidos e de certa forma deu a entender que Mainar não deixou herdeiros à sua altura para eliminar a ignorância daqueles que saem do ensino médio e ingressam nos cursos de jornalismo, nem mesmo numa corriqueira conjugação de verbos.
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